LEI Nº 13.874/2019 – DECLARAÇÃO DE DIREITOS DE LIBERDADE ECONÔMICA – DIREITO SOCIETÁRIO, CONTRATUAL E FALIMENTAR

Abaixo traçamos um breve panorama sobre as alterações introduzidas pela Lei supracitada em relação ao direito societário, contratual e falimentar, bem como à realização de atividades econômicas:

  • Destacam-se os princípios norteadores da legislação recém-sancionada, trazidos pelo Art. 2º da mesma, a saber: (i) a presunção de liberdade no exercício de atividades econômicas; (ii) a presunção de boa-fé do particular; e (iii) a intervenção subsidiária, mínima e excepcional do Estado sobre o exercício de atividades econômicas;
  • A norma sancionada dispensa as atividades econômicas de baixo risco da concessão de autorização, liberação, alvará ou qualquer outro ato administrativo de cunho liberatório, bem como assegura o direito de exercício de atividade econômica a qualquer dia e horário, observados, no entanto, limites de proteção ao meio ambiente, poluição sonora, normas de vizinhança e outras convenções particulares;
  • Da mesma forma, a novel Lei propicia ao empreendedor a presunção de boa-fé na condução de suas atividades, presunção que regerá a interpretação sobre as normas de direito civil, empresarial, econômico e urbanístico, asseverando a liberdade de pactuação e estipulação de condições, aplicando-se as normas de direito empresarial de maneira subsidiária;
  • A legislação em comento traz ainda um princípio de superação tecnológica de legislação desatualizada, desvinculando obstáculos legais para a implementação de tecnologias disruptivas consolidadas. Tal ponto ainda depende de normatização infralegal, para a estipulação de situações concretas de aplicabilidade;
  • Do ponto de vista do direito societário, a principal alteração da legislação recém-sancionada consiste na possibilidade de constituição de sociedade limitada com um único sócio, desobrigando a existência de sócios meramente figurativos em atos constitutivos correlatos;
  • Ademais, a nova Lei estabelece condições para a decretação da desconsideração da personalidade jurídica, condicionando-a a situações concretas e delimitando as possibilidades de aceitação de tal desconsideração. Neste sentido, a Lei altera o art. 50 do Código Civil, estipulando as referidas condições para a desconsideração da personalidade jurídica, bem como determinando as suas hipóteses. Tais condições são estendidas ao direito falimentar, cujas alterações pela legislação atualizada condicionam a extensão dos efeitos da falência à presença dos novos requisitos de desconsideração da personalidade jurídica, já acima debatidos;
  • As normas recém introduzidas também permitem a limitação de responsabilidade na aquisição/propriedade de quotas e na operação de fundos de investimento;
  • Traz ainda a nova legislação importantes alterações na Lei das Sociedades Anônimas (Lei 6.404/1976), desburocratizando a subscrição de ações de companhia constituída por subscrição pública, bem como possibilitando à CVM a dispensa de normas aplicáveis a sociedades de pequeno e médio porte, para facilitar o acesso das mesmas ao mercado de capitais.

Os pontos acima trazidos constituem um panorama geral da legislação recém-promulgada, no entanto não esgotam todos os seus aspectos nem delineiam a totalidade de oportunidades apresentadas pela nova Lei. Para tanto, os profissionais de Cardillo & Prado Rossi estão habilitados a analisar os impactos da nova legislação nos aspectos operacionais, patrimoniais e organizacionais de pessoas físicas e jurídicas, para fins de identificar as melhores oportunidades de aproveitamento do novo texto legal. Assim, podemos apresentar propostas concretas de atualização, revisão e reelaboração de contratos pertinentes, atos constitutivos, ou demais documentos necessários e/ou relevantes.

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CARDILLO & PRADO ROSSI SOCIEDADE DE ADVOGADOS